Estes foram os poemas...
Lembro-me bem do seu olhar.
Ele atravessa ainda a minha alma, Como um risco de fogo na noite. Lembro-me bem do seu olhar. O resto... Sim o resto parece-se apenas com a vida. Ontem, passei nas ruas como qualquer pessoa. Fumo, sonho, recostado na poltrona. Abrigo no peito, como a um inimigo que temo ofender, ________________ Álvaro de Campos |
Transferir o quadro o muro a brisa Preservar de decadência morte e ruína
________ Sophia de Mello Breyner Andresen |
Senhora, partem tão tristes Tão tristes, tão saudosos, ________ João Roiz de Castelo Branco |
Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição Onde tudo nos quebra e emudece Onde tudo nos mente e nos separa.
Que nenhuma estrela queime o teu perfil Que nenhum deus se lembre do teu nome Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti eu criarei um dia puro Livre como o vento e repetido Como o florir das ondas ordenadas.
________ Sophia de Mello Breyner Andresen |
Pela flor pelo vento pelo fogo Pela estrela da noite tão límpida e serena Pelo nácar do tempo pelo cipreste agudo Pelo amor sem ironia - por tudo Que atentamente esperamos Reconheci tua presença incerta Tua presença fantástica e liberta
________ Sophia de Mello Breyner Andresen |
Dai-me rosas e lírios, Em me dardes muitas flores, Ah, a minha tristeza dos barcos que passam no rio, Com a cabeça encostada aos braços cruzados em cima da mesa, O homem que apara o lápis à janela do escritório É tão fantástico que estas cousas sejam reais! A flor caída no chão.
________ Álvaro de Campos |
Estou só nos campos A doce noite murmura A lua me ilumina Corre em meu coração um rio de frescura De tudo o que sonhou minha alma se aproxima
________ Sophia de Mello Breyner Andresen |
De aqui a pouco acaba o dia. De aqui a pouco a noite vem. E após a noite a irmos dormir
________ Fernando Pessoa |
Não há nada que substitua O sol que me dás pela manhã
________ Poeta Anónimo do Séc. XIV |
Musas do Mar Na praia ouvindo o mar Sobre as ondas elas dançam Todos os dias vou aparecendo E num ultimo dia elas aparecem
________ Blue Heaven |
Passamos pelas coisas sem as ver,
________ Eugénio de Andrade |
As Amoras O meu país sabe as amoras bravas, no verão.
________ Eugénio de Andrade |
________ Fernando Pessoa |
Foi um momento
________ Fernando Pessoa |
ESPERO Espero sempre por ti o dia inteiro,
________ Sophia de Mello Breyner |
As palavras que te envio são interditas
________ Eugénio de Andrade |
A Chuva Desce a Ladeira Há muitos que contam a dor e o pranto
________ Fernando Pessoa |
Mar Português ________ Fernando Pessoa, in Mensagem |
O Luar Através dos Altos Ramos O luar através dos altos ramos,
________ Alberto Caeiro |
A hora da partida soa quando
________ Sophia de Mello Breyner Andresen |
Uma Após Uma as Ondas Apressadas Uma após uma as ondas apressadas
________ Ricardo Reis |
Estou mais perto de ti porque te amo. Canto os teus olhos mas não sei do teu rosto. Nesta noite sei apenas dos teus gestos Sim, tu estás em toda a parte. Em toda a parte.
________ Joaquim Pessoa |
Estás Só Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge.
________ Ricardo Reis |
Tombou da haste a flor da minha infância alada, Julguei que fosse eterna a luz dessa alvorada Mas, hoje, as pombas de oiro, aves da minha infância, Debalde clamo e choro, erguendo aos Céus meus ais:
________ António Nobre |
Se tu viesses ver-me... Se tu viesses ver-me hoje à tardinha, Quando me lembra: esse sabor que tinha Se tu viesses quando, linda e louca, E é como um cravo ao sol a minha boca...
________ Florbela Espanca |
Sossega, coração! Sossega, coração! Não desesperes! Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo! Sossega, coração, contudo! Dorme!
________ Fernando Pessoa |
ÚLTIMO SONETO Que rosas fugitivas foste ali: Em que seda de afagos me envolvi Pensei que fosse o meu o teu cansaço - E fugiste... Que importa ? Se deixaste
________ Mário de Sá-Carneiro |
É urgente o amor. É urgente destruir certas palavras, É urgente inventar alegria, Cai o silêncio nos ombros e a luz
________Eugénio de Andrade |
Os versos que te fiz... Deixa dizer-te os lindos versos raros
________Florbela Espanca |
O caminho que se perdeu... Sou um deus que dorme um sono profundo, Mas o vento que sopra em desalinho,
________Poeta Anónimo do Sec XIV |
Tanto de meu estado me acho incerto Tanto de meu estado me acho incerto, É tudo quanto sinto um desconcerto; Estando em terra, chego ao Céu voando; Se me pergunta alguém porque assim ando, ________Luís de Camões |
Há Palavras que Nos Beijam Há palavras que nos beijam ________Alexandre O'Neill |
Poema de Amor Se te pedirem, amor, se te pedirem E se pedirem, amor, e se pedirem Não contes, amor, não contes...
________Fernando Namora |
POR UMA LINHA DE ÁGUA... Olhas-me, Há caminhos verticais, sabias? Sim, Sim, Podia contar-te o segredo da hora de águas e areias. Mas olho-te, em silêncio. Vem descobrir a coragem Agora. Agora!
________Nuno Júdice |
Há mulheres que trazem o mar nos olhos Não pela cor Mas pela vastidão da alma E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos Ficam para além do tempo Como se a maré nunca as levasse Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos pela grandeza da imensidão da alma pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens... Há mulheres que são maré em noites de tardes.. e calma
________Sophia de Mello Breyner Andresen |
Poema XVIII Impetuoso, o teu corpo é como um rio
________Eugénio de Andrade |
Se partires, não me abraces
Se partires, não me abraces - a falésia que se encosta uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre e sonha com viagens na pele salgada das ondas.
Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios; mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder, porque o ar que respiras junto de mim é como um vento a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces -
o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno nos dias sem ninguém - longe de ti, o corpo não faz senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.
Se me abraçares, não partas.
________Maria do Rosário Pedreira |
Diz-me o teu nome Diz-me o teu nome - agora, que perdi
________Maria do Rosário Pedreira |
O meu mundo tem estado à tua espera
O meu mundo tem estado à tua espera; mas não há flores nas jarras, nem velas sobre a mesa, nem retratos escondidos no fundo das gavetas. Sei
que um poema se escreveria entre nós dois; mas não comprei o vinho, não mudei os lençóis, não perfumei o decote do vestido.
Se ouço falar de ti, comove-me o teu nome (mas nem pensar em suspirá-lo ao teu ouvido); se me dizem que vens, o corpo é uma fogueira – estalam-me brasas no peito, desvairadas, e respiro com a violência de um incêndio; mas parto antes de saber como seria. Não me perguntes
porque se mata o sol na lâmina dos dias e o meu mundo continua à tua espera: houve sempre coisas de esguelha nas paisagens e amores imperfeitos – Deus tem as mãos grandes”
________Maria do Rosário Pedreira |
À Beira de Água
________ Eugénio de Andrade |
Tu eras também uma pequena folha
________ Pablo Neruda |
A boca A boca, Levar-te à boca,
________ Eugénio de Andrade |
Recomeça... Se puderes,
________ Miguel Torga |
Bastam-me as cinco pontas de uma estrela Basta-me a lua ter aqui deixado Só há espigas a crescer comigo Deixem ao dia a cama de um domingo Baste o que o tempo traz na sua anilha ________ Natália Correia |
Quanto de ti, amor, me possuiu no abraço ________ Jorge de Sena |
Que importa o mundo e as ilusões defuntas?... ________ Florbela Espanca |
________ Miguel Sousa Tavares |
Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada! É ouvir-te melhor Tu és melhor - muito melhor! -
________ Mário Cesariny |
O meu amor não cabe num poema – há coisas assim
O meu amor não cabe num poema - há coisas assim, que não se rendem à geometria deste mundo; são como corpos desencontrados da sua arquitectura ou quartos que os gestos não preenchem.
O meu amor é maior que as palavras; e daí inútil a agitação dos dedos na intimidade do texto - a página não ilustra o zelo do farol que agasalha as baías nem a candura da mão que protege a chama que estremece.
O meu amor não se deixa dizer – é um formigueiro que acode aos lábios como a urgência de um beijo ou a matéria efervescente dos segredos; a combustão laboriosa que evoca, à flor da pele, vestígios de uma explosão exemplar: a cratera que um corpo, ao levantar-se, deixa para sempre na vizinhança de outro corpo.
O meu amor anda por dentro do silêncio a formular loucuras com a nudez do teu nome – é um fantasma que estrebucha no dédalo das veias e sangra quando o encerram em metáforas. Um verso que o vestisse definharia sob a roupa como o esqueleto de uma palavra morta. Nenhum poema podia ser o chão da sua casa.
________Maria do Rosário Pedreira |
Quem me quiser há-de saber as conchas Quem me quiser há-de saber as conchas Quem me quiser há-de saber as fontes, Qem me quiser há-de saber a chuva Quem me quiser há-de saber os medos Quem me quiser há-de saber a espuma
________Rosa Lobato Faria |
A hora da partida soa quando A hora da partida soa quando Soa quando no fundo dos espelhos
________ Sophia de Mello Breyner Andresen |
Sou um guardador de rebanhos Sou um guardador de rebanhos. Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la Por isso quando num dia de calor ________ Alberto Caeiro |
Hoje podes deitar-te na minha camae contar-me mentiras - dizer, não sei,que o amor tem a forma da minha mãoou que os meus beijos são perguntas quenão queres que ninguém te faça senãoeu; que as flores bordadas na dobra domeu lençol são de jardins perfeitos queantes só existiam nos teus sonhos; e quena curva dos meus braços as horas sãomais pequenas do que uma voz que noescuro se apagasse. Hoje podes rasgarcidades no mapa do meu corpo einventar que descobriste um continentenovo - uma pátria solar onde gostavasde morrer e ter nascido. Eu não meimporto com nada do que me digas estanoite: amo-te, e amar-te é reconhecer opólen excessivo das corolas, o seu vermelhoimpossível. Mas amanhã, antes de partires,não digas nada, não me beijes nas costasdo meu sono. Leva-me contigo para sempreou deixa-me dormir - eu não quero serapenas um nome deitado entre outros nomes.
________ Maria do Rosário Pedreira |
Das cartas que me escrevesfaço barcos de papel...De cada letra tua a bússola para chegar ( aí )de cada palavra o rumodo mar navegado em que me afundo..Faço barcos de papel das cartas que me escreves,espero que a maré me leveaté à praia onde adormeces todas as manhãs.Tens um saber dormir ao soldurante o dia,acordas o sonhoà noite e dizes: Já é dia!Das cartas que me escreves faço barcos de papel,certa de que as viagens soltasque navegarão na praia do tempoque não vai nem volta,te levarãosaudades dos barcos que navegam em cartas escritasem barcos de papel.________ Autor desconhecido |
Não sou nada.
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À beira de águaEstive sempre sentado nesta pedra
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Contigo aprendi coisas tão simples como
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Em todas as ruas te encontro
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A Criança que Pensa em FadasA CRIANÇA que pensa em fadas e acredita nas fadas ________ Alberto Caeiro |
Abandono!
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Tanto de meu estado me acho incerto
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O lugar da Casa Uma casa que fosse um areal ________ Eugénio de Andrade |
Respiro o teu corpo Respiro o teu corpo: ________ Eugénio de Andrade |
Apontamento A minha alma partiu-se como um vaso vazio. Asneira? Impossível? Sei lá! Fiz barulho na queda como um vaso que se partia. Não se zanguem com ela. Olham os cacos absurdamente conscientes, Olham e sorriem. Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
________ Álvaro de Campos |
A abelha que, voando, freme sobre A abelha que, voando, freme sobre Não mudou desde Cecrops. Só quem vive Ela é a mesma que outra que não ela. ________ Ricardo Reis |
O nosso último abraço Este foi o nosso último abraço. E quando, ________ Maria do Rosário Pedreira |
Olhando o mar, sonho sem ter de quê Olhando o mar, sonho sem ter de quê. Ver claro! Quantos, que fatais erramos, As árvores longínquas da floresta Se tive amores? Já não sei se os tive. Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser ________ Fernando Pessoa |
ÊXTASE Infindável … O meu toque incendeia-te Suplicas-me Saboreio-te docemente Sentes a chegada ________ João Carlos Esteves |
A Secreta ViagemNo barco sem ninguém, anónimo e vazio, Sem um gesto sequer, de súbito esculpidos, Aparentes senhores de um barco abandonado, Agora sei que és tu quem me fora indicada. ________ David Mourão-Ferreira |
O tempo acaba o ano, o mês e a horaO tempo acaba o ano, o mês e a hora, O tempo busca e acaba o onde mora O tempo o claro dia torna escuro Mas de abrandar o tempo estou seguro ________ Luís de Camões |
O amor é uma companhia Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo. Todo eu sou qualquer força que me abandona. ________ Alberto Caeiro |
AspiraçãoMeus dias vão correndo vagarosos,
________ Antero de Quental |
RecordaçõesSoa ainda, nos meus ouvidos,
________ Poeta Anónimo do Sec. XIV |
Porque os outros se mascaram mas tu não Porque os outros se mascaram mas tu não
________ Sophia de Mello Breyner Andresen |
O mar é longe, mas somos nós o ventoO mar é longe, mas somos nós o vento;
________ Pedro Tamen |
O verão deixa-me os olhos mais lentos sobre os livros O verão deixa-me os olhos mais lentos sobre os livros. a primeira página: em fevereiro, eles ainda faziam amor aconteceu entretanto. Regresso, pois, à primeira linha,
____________Maria do Rosário Pedreira |
